Carta enviada pelo presidente da ASPESCA aos deputados presentes á reunião em Patos de Minas.

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13/12/2007

Senhores Deputados,

Encabeçamos uma associação denominada ASPESCA, Associação de Pesca Esportiva e Consciência Ambiental, sediada na cidade de Uberlândia, mas com atuação ampla em todas as regiões do Triangulo Mineiro.

Esta Associação tem como objetivo a preservação do meio ambiente e a proteção da fauna ictiológica, como também auxiliar as autoridades na elaboração das leis e regulamentos  que venham a dar proteção aos mesmos.

Estivemos no dia 6 de dezembro em Patos de Minas na Audiência Pública organizada pelos Srs, a fim de discutir a liberação da pesca nos reservatórios de Nova Ponte e Miranda, a pedido dos pescadores profissionais.

Na nossa avaliação, consideramos três grandes problemas a resolver:

O primeiro é quanto à poluição dos reservatórios. Há necessidade de uma ação forte por parte do governo sobre as Prefeituras a fim de que se proceda urgentemente o tratamento dos efluentes que são lançados nos ribeirões e que vão cair nos reservatórios.

Uma campanha maciça de orientação às populações a não poluição das águas dos rios e reservatórios.

O segundo problema é quanto a quantidade de peixe existentes nos reservatórios. Quando da construção dos mesmos, houve uma mudança radical no seu habitat ocasionando a morte dos peixes, inibindo a sua procriação em função da mudança no sistema fluvial e tornando os peixes fáceis de serem capturados, pois ficaram fechados em uma grande piscina.

A extinção dos cardumes de peixes se deve também a pesca predatória exercida não só pelos pescadores profissionais como também dos amadores.

Para resolver a situação, precisamos ordenar  a pesca nestes reservatórios para proteger os peixes que restaram, e promover a soltura de alevinos para recompor a fauna ictiologia.

O terceiro problema é a situação dos pescadores profissionais.

Temos uma questão social a ser resolvida e que merece toda a nossa atenção, mas, não é liberando a pesca nos reservatórios é que vai resolver a situação.

Se houver uma liberação de pesca, teremos um problema maior daqui no máximo dois anos, quando acabará os peixes e os pescadores novamente vão ficar sem poder pescar.

Nós não podemos andar na contra mão do que esta acorrendo no mundo, onde a parte ambiental está acima de qualquer vontade. Enquanto os ambientalistas estão preocupados e trabalhando para salvar e proteger o meio ambiente nós aqui no Brasil não poderemos continuar com a pesca desordenada em águas interiores.

Nossa sugestão é que os peixes restantes nos reservatórios sejam protegidos para mantermos uma reserva genética.

Os pescadores profissionais necessitam de uma política pública de incentivo a novas atividades, como começar a produzir peixes em cativeiro, através de tanques rede ou de tanques abertos no solo, incentivo a exploração do turismo sustentável, principalmente na pesca esportiva, que está em franca expansão.

Senhores Deputados, achamos que somente assim poderíamos resolver o problema dos tão sofridos pescadores profissionais.

 

Obrigado

 

José Carlos Zamunaro

Presidente

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